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A economia latino-americana foi o primeiro livro de um latino-americano a oferecer uma visão global e de síntese sobre a formação e o desenvolvimento econômico dos países do continente.
Publicado em 1969, com o título Formação econômica da América Latina, foi traduzido em castelhano, inglês, francês, italiano, japonês, chinês e sueco. Em castelhano teve edições no Chile, em Cuba e no México (atualmente na 24ª edição), sendo a obra de Celso Furtado de maior circulação no exterior. É de 1976 a edição definitiva, revista e ampliada, com o título A economia latino-americana, agora lançada pela Companhia das Letras em prosseguimento à republicação de uma série de obras do autor.
Escrito em Paris, quando uma das disciplinas que Celso Furtado ensinava na Sorbonne era a economia da América Latina, este livro nasceu para dar aos seus alunos e aos pesquisadores uma idéia da formação econômica do continente e ampliar a perspectiva dos estudos de desenvolvimento nos países da região. A obra se firmou como um clássico do estruturalismo latino-americano. O texto agora republicado foi revisto pelo autor, antes de falecer em 2004.
Em A economia latino-americana Celso Furtado estuda a América Latina com o duplo enfoque histórico e econômico, método que empregara anteriormente em Formação econômica do Brasil. A partir dessa combinação de análise econômica e contexto histórico, ele analisa as estruturas criadas pelos conquistadores, voltadas para os interesses da metrópole, as consequências da inserção no sistema internacional de trabalho como continente fornecedor de matérias-primas, a fase de industrialização, as reformas agrárias do México, Bolívia, Peru e Chile, a economia de Cuba, as dificuldades de formação de mercados comuns continentais — são estes alguns dos capítulos do livro.
Cabe ressaltar o minucioso estudo sobre as tentativas de mudança das estruturas, particularmente as reformas agrárias, visando promover o desenvolvimento da região. E também os capítulos sobre as especificidades econômicas que marcaram a história de certos países, como o café no Brasil, o cobre no Chile, o petróleo no México e na Venezuela, ou ainda a revolução em Cuba.
A economia latino-americana é também uma análise da contribuição dos economistas latino-americanos da CEPAL para a solução de problemas como a inflação, o planejamento e a superação do subdesenvolvimento.
Nos dez anos que passou na CEPAL, Celso Furtado morou no Chile, no México e percorreu o continente em missões de trabalho. Mais tarde, introduziu na faculdade de economia da Universidade de Paris a cátedra de economia da América Latina. Essa longa vivência dos problemas do continente levou-o a dizer, a propósito de A economia latino-americana, que ali estavam “muitas das reflexões que me inspiraram os anos de perambulação pela América Latina e Caribe e as leituras de meus anos de professor na Europa e nos Estados Unidos”.
De fato, sua experiência docente, somada à permanência nos quadros da CEPAL, fez de A economia latino-americana um livro adotado por todos os que estudam a região e se interessam por um horizonte de pensamento que ultrapasse os limites nacionais e ponha em perspectiva os diversos caminhos do desenvolvimento no continente.
Os temas tratados por Celso Furtado se apóiam em dados quantitativos que se estendem até o primeiro choque do petróleo, em meados dos anos 70. O autor preferiu, contudo, não atualizar as estatísticas, por considerar que A economia latino-americana é, acima de tudo, uma introdução à história e à economia da sociedade da América Latina desde os tempos coloniais, e um estudo das tendências de longo prazo do desenvolvimento do continente.
RESENHAS DA IMPRENSA INTERNACIONAL:
Este livro de sólida informação factual, escrito por um economista para economistas, é uma leitura surpreendentemente fácil para não especialistas que procuram uma introdução geral à economia da América Latina. O enfoque do professor Furtado é altamente profissional. Ele guia o leitor com profundidade acadêmica, desde a análise preliminar das raízes históricas das instituições econômicas e sociais da América Latina até o estudo mais detalhado de aspectos como comércio exterior, integração regional, reforma agrária e reestruturações para o futuro. The Economist.
Provavelmente a mais completa visão global da história econômica latino-americana, escrita para o leitor comum e para o especialista. Furtado faz uma análise em profundidade das estruturas socioeconômicas tradicionais “em movimento”, isto é, como um processo dinâmico. Sua característica mais importante como economista é a disposição de considerar os problemas econômicos na sua complexidade total. Ele é firme num ponto: desenvolvimento significa desenvolvimento total do total da população, o que requer mudanças nas estruturas socioeconômicas. Choice
Celso Furtado escreveu um livro extremamente útil. Consegue transmitir os principais traços do atraso econômico latino-americano, os obstáculos à modernização e os problemas criados pelas diversas estratégias de desenvolvimento. Oferece inúmeras e novas intuições e fornece dados estatísticos suficientes para dar credibilidade a seus argumentos. É especialmente digno de nota que ressalte tanto as similaridades como as diferenças prevalecentes na região. Torna-se evidente que a América Latina é uma região muito mais complexa do que parece, e que generalizações e modelos simples são, com certeza, enganosos. The Journal of Developing Areas
Surpreendentemente bem feito, eminentemente legível e uma mina de informações e idéias úteis para o historiador econômico ou economista do desenvoolvimento que volte sua atenção para a América Latina. Mesmo o especialista se sente feliz de ter em suas prateleiras esst livro bem-informado e bem abastecido. Economic Journal
A Economia latino-americana - formação histórica e problemas contemporâneos
de Celso FURTADO
prefácio de Luiz Felipe DE ALENCASTRO
ed. Companhia das Letras
São Paulo, novembro de 2007
496 páginas
ISSN: 9788535910926
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