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Novas edições da obra de Celso Furtado
TRÊS REEDIÇÕES DA OBRA DE
Celso Furtado:


1. Formação econômica do Brasil
com prefácio do economista Luiz Gonzaga Belluzzo, da Unicamp

com prefácio do historiador Luiz Felipe de Alencastro, da Universidade da Sorbonne


3. Criatividade e dependência na civilização industrial
com prefácio do professor de literatura e crítico literário  Alfredo Bosi, da USP



 
FORMAÇÃO ECONÔMICA DO BRASIL
Prefácio de Luiz Gonzaga Belluzzo

A tese de doutoramento sobre a economia colonial, defendida na Sorbonne em 1948, e o primeiro ensaio sobre a economia brasileira contemporânea, escrito no ano seguinte, são o ponto de partida do livro mais conhecido de Celso Furtado, publicado em 1959: Formação econômica do Brasil.
Quando o escreveu, na Inglaterra, Furtado imaginava explicar o Brasil para os estrangeiros. Explicou para os brasileiros. Formação econômica do Brasil chega, neste lançamento da Companhia das Letras, à 34ª edição, e está traduzido em nove línguas, entre elas romeno, chinês e japonês.

O livro que se tornou um marco na historiografia econômica brasileira por pouco não existiria. O manuscrito enviado de Cambridge para a editora brasileira extraviou-se. Por sorte, o microfilme feito de última hora num equipamento precário pôde ser projetado: as quase trezentas páginas escritas à mão foram datilografadas, dessa vez com cópia.

Formação econômica do Brasil apóia-se numa visão derivada tanto da história como da economia. A combinação do método histórico com a análise econômica era, na época, uma novidade. Pela primeira vez, alguém no Brasil fazia historiografia econômica tendo uma sólida formação de economista. Duas semanas depois do lançamento, o livro ocupava o terceiro lugar na lista dos mais vendidos, liderada por Gabriela, cravo e canela, de Jorge Amado.

O texto se inicia com a análise da ocupação do território brasileiro, comparada também com as colônias do hemisfério norte e das Antilhas. Seguem-se os ciclos do açúcar, da pecuária, do ouro, a ascensão da economia cafeeira, e, no século xx, a crise da cafeicultura e a industrialização, cuja especificidade o autor trata com excepcional clareza. Em paralelo aos cinco séculos de história econômica, Celso Furtado estuda a evolução da mão-de-obra no Brasil, desde a escravidão até o trabalho assalariado, o dos imigrantes europeus e dos migrantes internos. Na conclusão, aponta os dois desafios a serem enfrentados até o fim do século xx, e que guardam plena atualidade: completar a industrialização do país e deter o processo das disparidades regionais.

Com Formação econômica do Brasil, a Companhia das Letras inicia a republicação dos livros mais significativos de Celso Furtado. O próximo, a sair no segundo semestre, será A economia latino-americana. Nesse livro, traduzido em oito idiomas, o autor estuda, com a mesma metodologia, a formação histórica e econômica do continente.


Formação econômica do Brasil pertence à categoria rara dos livros fundadores. Dizer que é marco na historiografia econômica brasileira é dizer pouco. Na verdade, é marco na historiografia, ou melhor, na ciência social do país. Oferece um texto límpido, com admirável arquitetura, sólido travejamento, linguagem enxuta.
Ao longo desses anos a obra frutificou: muito do melhor aparecido no país é tributário do texto; não só em economia, mas em sociologia, política, historiografia, crítica da cultura e até filosofia. De qual outra obra de ciência social nativa se pode dizer o mesmo?
Francisco Iglesias

Reportagens sobre o lançamento: 


Formação econômica do Brasil
352 p.
ISBN e código de barras:
978-85-359-0952-4
www.companhiadasletras.com.br


A ECONOMIA LATINO-AMERICANA - formação histórica e problemas contemporâneos
Prefácio de Luiz Felipe de Alencastro

 
Esgotada desde meados dos anos 80, a reedição tem prefácio do historiador Luiz Felipe de Alencastro, um completo Índice Remissivo, Bibliografia e Índice de tabelas.

A economia latino-americana foi o primeiro livro de um latino-americano a oferecer uma visão global e de síntese sobre a formação e o desenvolvimento econômico dos países do continente.

Publicado em 1969, com o título Formação econômica da América Latina, foi traduzido em castelhano, inglês, francês, italiano, japonês, chinês e sueco. Em castelhano teve edições no Chile, em Cuba e no México (atualmente na 24ª edição), sendo a obra de Celso Furtado de maior circulação no exterior. É de 1976 a edição definitiva, revista e ampliada, com o título A economia latino-americana, agora lançada pela Companhia das Letras em prosseguimento à republicação de uma série de obras do autor.

Escrito em Paris, quando uma das disciplinas que Celso Furtado ensinava na Sorbonne era a economia da América Latina, este livro nasceu para dar aos seus alunos e aos pesquisadores uma idéia da formação econômica do continente e ampliar a perspectiva dos estudos de desenvolvimento nos países da região. A obra se firmou como um clássico do estruturalismo latino-americano. O texto agora republicado foi revisto pelo autor, antes de falecer em 2004.

Em A economia latino-americana Celso Furtado estuda a América Latina com o duplo enfoque histórico e econômico, método que empregara anteriormente em Formação econômica do Brasil. A partir dessa combinação de análise econômica e contexto histórico, ele analisa as estruturas criadas pelos conquistadores, voltadas para os interesses da metrópole, as consequências da inserção no sistema internacional de trabalho como continente fornecedor de matérias-primas, a fase de industrialização, as reformas agrárias do México, Bolívia, Peru e Chile, a economia de Cuba, as dificuldades de formação de mercados comuns continentais — são estes alguns dos capítulos do livro.

Cabe ressaltar o minucioso estudo sobre as tentativas de mudança das estruturas, particularmente as reformas agrárias, visando promover o desenvolvimento da região. E também os capítulos sobre as especificidades econômicas que marcaram a história de certos países, como o café no Brasil, o cobre no Chile, o petróleo no México e na Venezuela, ou ainda a revolução em Cuba.

A economia latino-americana é também uma análise da contribuição dos economistas latino-americanos da CEPAL para a solução de problemas como a inflação, o planejamento e a superação do subdesenvolvimento.

Nos dez anos que passou na CEPAL, Celso Furtado morou no Chile, no México e percorreu o continente em missões de trabalho. Mais tarde, introduziu na faculdade de economia da Universidade de Paris a cátedra de economia da América Latina. Essa longa vivência dos problemas do continente levou-o a dizer, a propósito de A economia latino-americana, que ali estavam “muitas das reflexões que me inspiraram os anos de perambulação pela América Latina e Caribe e as leituras de meus anos de professor na Europa e nos Estados Unidos”.

De fato, sua experiência docente, somada à permanência nos quadros da CEPAL, fez de A economia latino-americana um livro adotado por todos os que estudam a região e se interessam por um horizonte de pensamento que ultrapasse os limites nacionais e ponha em perspectiva os diversos caminhos do desenvolvimento no continente.

Os temas tratados por Celso Furtado se apóiam em dados quantitativos que se estendem até o primeiro choque do petróleo, em meados dos anos 70. O autor preferiu, contudo, não atualizar as estatísticas, por considerar que A economia latino-americana é, acima de tudo, uma introdução à história e à economia da sociedade da América Latina desde os tempos coloniais, e um estudo das tendências de longo prazo do desenvolvimento do continente.

 RESENHAS DA IMPRENSA INTERNACIONAL:

Este livro de sólida informação factual, escrito por um economista para economistas, é uma leitura surpreendentemente fácil para não especialistas que procuram uma introdução geral à economia da América Latina. O enfoque do professor Furtado é altamente profissional. Ele guia o leitor com profundidade acadêmica, desde a análise preliminar das raízes históricas das instituições econômicas e sociais da América Latina até o estudo mais detalhado de aspectos como comércio exterior, integração regional, reforma agrária e reestruturações para o futuro. The Economist.

Provavelmente a mais completa visão global da história econômica latino-americana, escrita para o leitor comum e para o especialista. Furtado faz uma análise em profundidade das estruturas socioeconômicas tradicionais “em movimento”, isto é, como um processo dinâmico. Sua característica mais importante como economista é a disposição de considerar os problemas econômicos na sua complexidade total. Ele é firme num ponto: desenvolvimento significa desenvolvimento total do total da população, o que requer mudanças nas estruturas socioeconômicas. Choice

Celso Furtado escreveu um livro extremamente útil. Consegue transmitir os principais traços do atraso econômico latino-americano, os obstáculos à modernização e os problemas criados pelas diversas estratégias de desenvolvimento. Oferece inúmeras e novas intuições e fornece dados estatísticos suficientes para dar credibilidade a seus argumentos. É especialmente digno de nota que ressalte tanto as similaridades como as diferenças prevalecentes na região. Torna-se evidente que a América Latina é uma região muito mais complexa do que parece, e que generalizações e modelos simples são, com certeza, enganosos. The Journal of Developing Areas

Surpreendentemente bem feito, eminentemente legível e uma mina de informações e idéias úteis para o historiador econômico ou economista do desenvoolvimento que volte sua atenção para a América Latina. Mesmo o especialista se sente feliz de ter em suas prateleiras esst livro bem-informado e bem abastecido. Economic Journal

A Economia latino-americana - formação histórica e problemas contemporâneos
de Celso FURTADO
prefácio de Luiz Felipe DE ALENCASTRO
ed. Companhia das Letras
São Paulo, novembro de 2007
496 páginas
ISSN: 9788535910926


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Atualizado em: 06/09/2010 20h58