English Busca | Mapa do Site | Entre em contato  
 
 
 
     
O Centro Atividades Celso Furtado
 
     
   
     
 
Voltar
LANÇAMENTO DO NÚMERO 3 DA COLEÇÃO

Arquivos Celso Furtado, n. 3

"O Nordeste e a saga da Sudene - 1958-1964"

      Em Formação econômica do Brasil, escrito em Cambridge e publicado em 1959, Celso Furtado interpretou magistralmente a paradoxal dinâmica de longo prazo do “complexo econômico nordestino”. A secular crise do setor açucareiro e a gradativa expansão de uma pecuária extensiva, sujeita à lei dos rendimentos decrescentes, haviam condenado a região a um processo de involução econômica, uma decadência sem transformação.

      De volta ao Brasil, Furtado compreendeu a urgência de enfrentar o problema. O Sudeste se industrializava, enquanto o Nordeste se consolidava como a grande “área problema” do hemisfério ocidental. Com trajetórias tão divergentes, a própria unidade nacional poderia ser questionada, a longo prazo. Havia uma nova questão regional no Brasil.

      O assistencialismo e as obras emergenciais contra as secas, que prevaleciam desde o século XIX, precisavam ser substituídos por uma política de reformas estruturais e de estímulo a atividades compatíveis com as especificidades da região. Tratava-se, antes de tudo, de criar uma economia resistente às secas, deslocar a fronteira agrícola na direção de terras mais úmidas, garantir o abastecimento de alimentos das cidades e promover a industrialização. Nem o livre jogo dos mercados nem os órgãos governamentais existentes, controlados pelas oligarquias, dariam conta desses desafios.

      Era preciso implantar no Nordeste o moderno Estado desenvolvimentista. Seu embrião seria uma nova instituição de elevado nível técnico, preservada de ingerências da pequena política e voltada para o desenvolvimento regional. Ela deveria ser capaz de identificar e selecionar projetos, fixar capitais, ampliar o crédito, criar economias externas, implantar um sistema de incentivos, formar pessoal, realizar pesquisas e apoiar reformas estruturais.

      Com o apoio político do presidente Juscelino Kubitschek e a liderança intelectual e moral de Celso Furtado, começou a Operação Nordeste, que deu à luz a Sudene. Não foi uma batalha fácil. As oligarquias locais não estavam acostumadas a lidar com um técnico da estatura de Furtado, logo chamado de comunista, é claro, duramente combatido e finalmente alijado do centro de decisões com o golpe militar de 1964. Mesmo assim, os frutos do seu trabalho não se perderam. Depois de seus estudos e de sua intervenção, o Nordeste nunca mais foi o mesmo.

      Este volume dos Arquivos Celso Furtado, publicado pelo Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento e a Editora Contraponto – o terceiro de uma série prevista para doze – recupera documentos fundamentais da “saga da Sudene”, com cinco textos e uma entrevista do próprio Furtado, notas de Albert Hirschman, um depoimento de Francisco de Oliveira e um artigo de Marcos Costa Lima. Torna-se, assim, um volume imprescindível para a reconstituição de uma parte da história recente do Brasil.

César Benjamin

Desenvolveu-se na região semiárida, na caatinga, uma economia inadequada ao meio, extremamente vulnerável à seca. O primeiro objetivo deve ser, portanto, criar ali uma economia resistente à seca. Para isso teremos de conhecer melhor a região, seus recursos de água superficial e subterrânea, sua flora, e teremos que mobilizar o crédito e a assistência técnica. [...] A reorganização da economia da caatinga criará excedentes populacionais que deverão ser absorvidos alhures. Daí a necessidade de incorporar novas terras ao Nordeste, de deslocar sua fronteira agrícola. Podemos incorporar ao Nordeste precisamente aquilo que lhe falta: terras úmidas, terras com invernos regulares. A terceira linha de ação é a de um forte aumento dos investimentos industriais na região. É a linha da industrialização. Mas não será possível seguir essa linha de ação no setor industrial se não resolvermos outro problema — o do abastecimento de alimentos nas zonas urbanas.

      Celso Furtado
      A operação Nordeste, 1959

Leia aqui o Sumário dos Arquivos 3.

O Nordeste e a Saga da Sudene (1958-64)
Col. Arquivos Celso Furtado, n. 3
Rio de Janeiro: Centro Celso Furtado/Ed. Contraponto, 2009
283 p.
ISBN:978-85-7866-021-5
 

 


 

Arquivos Celso Furtado 2

O segundo número da coleção Arquivos Celso Furtado traz o curso

“Economia do Desenvolvimento”, curso ministrado por Celso Furtado na PUC-SP em 1975.

 O lançamento desse número ocorreu no dia 18 de maio de 2009, na própria PUC em São Paulo, no mesmo auditório onde Celso Furtado ministrou o curso de 1975.
 
Com a participação de:

Rosa Freire d’Aguiar Furtado, presidente cultural do Centro Celso Furtado e diretora da coleção Arquivos Celso Furtado.

Rosa Maria Vieira Berriel, professora de História do Pensamento Econômico Brasileiro na PUC - São Paulo.

Luiz Carlos Bresser-Pereira, professor emérito da Fundação Getúlio Vargas editor da Revista de Economia Política, ex-Ministro da Fazenda. Bresser-Pereira seguiu o curso de Celso Furtado em 1975, e assina nesse livro um texto inédito onde analisa a formação intelectual, o método e a obra de Celso Furtado.

Palestra de lançamento realizada em parceria com o Departamento de Economia da FEA/PUC-SP

 

Sumário dos Arquivos celso Furtado 2:

I N T R O D U Ç Ã O

Um sonho de regresso

Rosa Freire d’Aguiar Furtado

D O C U M E N TO S

Economia do desenvolvimento (1975)

A economia brasileira:1850-1914 (1975)

Celso Furtado Celso Furtado

A industrialização periférica (1975)

Celso Furtado

O capitalismo pós-nacional (1975)

Celso Furtado

A R T I G O

Celso Furtado e a teoria econômica

Luiz Carlos Bresser-Pereira

E N T R E V I S TA

A primeira aula de Celso Furtado

Celso Furtado, por Claudio Cerri
 

 

Leia a orelha:

      O Centro Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento e a Editora Contraponto prosseguem a publicação dos Arquivos Celso Furtado, previstos para doze volumes que reunirão a rica documentação deixada pelo nosso maior intelectual: manuscritos, notas de aulas, estudos preliminares, relatórios, correspondência, entrevistas e artigos que hoje estão inacessíveis. O primeiro volume girou em torno dos Estudos sobre a Venezuela: subdesenvolvimento com abundância de divisas. Neste, a peça central são as detalhadas anotações de Furtado para o curso que ministrou na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo em 1975, intitulado Economia do Desenvolvimento.

      Além da relevância do conteúdo – pois aqui vemos Furtado, como professor, em plena maturidade –, o curso tem também importância histórica por ter sido a primeira atividade acadêmica do mestre no Brasil desde a cassação de seus direitos políticos em 1964. No texto introdutório, Rosa Freire d’Aguiar Furtado, diretora da coleção, conta as circunstâncias em que ocorreu o fim do longo exílio, ainda em plena vigência do regime militar.

      Na época do curso, Furtado dedicava-se a estudar as transformações do sistema mundial, que havia experimentado o primeiro choque do petróleo e começava a deixar para trás a ordem econômica instituída pelos Acordos de Bretton Woods (1944). “Necessitamos ver mais claro o quadro geral para poder aprofundar o estudo do subdesenvolvimento”, escreveu. A preocupação com o que ocorria no mundo desenvolvido vinculava-se, como se vê, à temática que ocupou grande parte do seu esforço intelectual durante toda a vida.

      Furtado recém-apresentara em Teerã o texto “O capitalismo pós-nacional”, que também publicamos aqui. Suas observações, lidas hoje, se mostram proféticas: “As fronteiras dos antigos sistemas econômicos nacionais vão desaparecendo [...]. Dentro do quadro institucional atual os governos não têm a possibilidade de coordenar a ação que todo um conjunto de poderosos agentes exerce no sistema capitalista. [...] A formação de processos desestabilizadores vem aumentando de forma alarmante.” A última seção desse texto fala da busca de um “novo projeto de civilização”. Poderia ter sido escrita hoje.

      “A economia brasileira: 1850-1914” e “A industrialização periférica”, ambos também de 1975, completam os documentos aqui reunidos. Segue-se um texto inédito em que Luiz Carlos Bresser-Pereira analisa a formação intelectual, o método e a obra de Celso Furtado, destacando os problemas teóricos que enfrentou para criticar as teorias dominantes e elaborar uma visão própria dos processos de subdesenvolvimento e dos caminhos a serem trilhados pela periferia do sistema-mundo. O volume termina com uma entrevista concedida a Claudio Cerri, publicada pelo Jornal da Tarde em junho de 1975, em seguida ao retorno de Furtado ao Brasil.

César Benjamin  

Arquivos Celso Furtado nº 2: economia do desenvolvimento.
Celso Furtado
256 páginas
ISBN: 9788578660109
mais informações:
www.contrapontoeditora.com.br


 Arquivos Celso Furtado 1

Ensaios sobre a Venezuela: subdesenvolvimento com abundância de divisas

Celso Furtado praticamente dispensa apresentações. Foi o maior intelectual brasileiro do século XX. Mais do que técnico, professor ou ministro, mais do que homem público exemplar, personificou a esperança desenvolvimentista. Mais do que economista, foi um homem de cultura, com sólida formação humanista e um dom primoroso para a exposição de idéias – em salas de aula, em conferências ou em textos de admirável elegância e clareza. Alguns de seus livros tornaram-se clássicos e foram traduzidos no mundo inteiro.

      Metódico, organizado, Furtado deixou riquíssima documentação: manuscritos, anotações detalhadas de cursos, estudos preliminares, relatórios, correspondência, entrevistas e artigos que hoje estão inacessíveis. É sobre esse material que Rosa Freire d’Aguiar Furtado se debruçou para organizar os Arquivos Celso Furtado, que o Centro Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento e a editora Contraponto começam a publicar, com previsão inicial de doze volumes, para que a obra do nosso maior pensador fique, de fato, completa. Em cada um deles, autores contemporâneos serão chamados a comentar esses trabalhos inéditos.

      Começamos com dois estudos, extremamente atuais, sobre o singular caso da Venezuela, complementados por uma bela entrevista concedida lá, em 1974. Enviado a esse país, pela primeira vez, em 1957, em missão da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), Furtado logo percebeu que a presença de um recurso natural abundante – no caso, o petróleo – produzia um excedente estrutural nas contas externas e mantinha a taxa de câmbio em uma posição incompatível com a diversificação da base produtiva local. Desarticulado dos demais setores, o moderno setor exportador não impulsionava a modernização do conjunto da economia. Como a produção de petróleo e as atividades a ela diretamente associadas só absorviam uma pequena parcela da população, a grande maioria dos venezuelanos permanecia em atividades de baixa produtividade. Daí a expressão, aparentemente paradoxal, de que a Venezuela era um caso atípico de “subdesenvolvimento com abundância de divisas”.

      Como mostram neste volume o professor Carlos Aguiar de Medeiros e o economista argelino Abdelkader Sid Ahmed, a análise pioneira de Celso Furtado ultrapassa a problemática venezuelana e a época em que foi formulada, projetando luz sobre questões de hoje, inclusive no Brasil. São assim, perenes, os trabalhos dos grandes mestres, que, por isso, precisam ser relidos sempre.


      César Benjamin

 

Arquivos Celso Furtado
nº 1: Ensaios sobre a Venezuela: subdesenvolvimento com abundância de divisas
Celso Furtado
Rio de Janeiro: Contraponto / Centro Celso Furtado
188 páginas
ISBN: 9788578660031

 Leia mais no site da Editora Contraponto:

www.contrapontoeditora.com.br

Arquivos vinculados
Arquivos Celso Furtado 3
 
 
 
 
Centro Celso Furtado © 2010 - Todos os direitos reservados
Atualizado em: 06/09/2010 20h58