Cadernos do Desenvolvimento está disponível neste site desde o seu primeiro número (julho de 2006):
Cadernos do Desenvolvimento nº 1
Cadernos do Desenvolvimento nº 2
Cadernos do Desenvolvimento nº 3
Cadernos do Desenvolvimento nº 4
Cadernos do Desenvolvimento nº 5
Cadernos do Desenvolvimento nº 6
Desde o nº 3 (julho de 2007), a versão impressa encontra-se à venda nas duas lojas da Livraria Editora UFRJ:
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Cadernos do Desenvolvimento nº 6
O periódico do Centro Celso Furtado traz as atas de quatro seminários - Problemas e Políticas da Educação, A Questão Agrária, Perspectivas de Desenvolvimento e Inovação Tecnológica e Desenvolvimento e Impactos Ambientais.
Editorial:
Duzentos anos depois da criação das primeiras instituições de ensino superior no Brasil, permitidas e implantadas só quando chegou a estas terras a família real portuguesa, o Brasil tem indicadores educacionais que deixam a desejar até mesmo se comparados com os dos vizinhos do continente. Se houve avanço no ensino fundamental – 97% das crianças estão matriculados –, apenas 10% dos jovens entre 18 e 24 anos têm acesso à educação superior, e desses só 2% frequentam as universidades públicas, consideradas as melhores.
Mas não é só a política educacional que não dá conta do desafio que lhe cabe enfrentar. Outro desafio a exigir solução há decênios, talvez desde que Joaquim Nabuco apresentou uma proposta para arrostá-lo, é a injusta, senão obsoleta, estrutura agrária. Além dos que condenavam a reforma agrária por ser cara, desnecessária, lenta e violenta, agora há os que alegam que ela destrói o meio ambiente. O Brasil estaria assim retardando oportunidades de implantar um recorte fundiário novo e moderno, que diminua a concentração da propriedade da terra. Isso é tanto mais grave na medida em que com apenas 70 mil reais promovem-se o assentamento de uma família e, por conseguinte, a criação de três empregos diretos e um indireto. Quando mais não fosse, essa forma barata de criar empregos já faria da reforma agrária uma prioridade.
Duas outras questões críticas são a inovação tecnológica e o meio ambiente. Quanto à primeira, dados positivos e negativos se contrabalançam: hoje chega a 27 mil o pessoal de nível superior trabalhando em pesquisa e desenvolvimento nas empresas do país. Mas o esforço de inovação mantém-se muito aquém do desejado, como se pode concluir da leitura dos textos reunidos neste número de Cadernos do Desenvolvimento.
Quanto ao meio ambiente, nestes tempos em que se acirram as polêmicas entre ambientalistas e partidários do desenvolvimento econômico a qualquer preço, e em que o Congresso aprova a regularização de ocupações de terras da União na Amazônia, a grande pergunta permanece em suspenso: o crescimento econômico do tipo que conhecemos abalará cada vez mais a natureza, a ponto de comprometer a vida dos 6 bilhões que somos?
Educação, questão agrária, inovação tecnológica, meio ambiente. Para debater cada um desses temas o Centro Celso Furtado convidou professores e especialistas, do governo e da sociedade, reunidos em seminários abertos ao público. Aqui estão seus diagnósticos, nossas perspectivas.
Sumário
EDITORIAL
SEMINÁRIOS
1. Problemas e políticas da educação
Fernando Haddad, Azuete Fogaça, Aloisio Teixeira, Ronaldo Mota, Hildete Pereira de Melo, Élvio Lima Gaspar.
2. A questão agrária
Maria Conceição Tavares, Rolf Hackbart, Gerson Gomes, Plinio de Arruda Sampaio, João Pedro Stedile, Leonilde Medeiros, Manoel dos Santos.
3. Perspectivas do desenvolvimento e inovação tecnológica
Luciano Coutinho, João Carlos Ferraz, Ricardo Carneiro, Roberto Vermulm, José Cassiolato, André Amaral.
4. Desenvolvimento e impactos ambientais
Márcio Macedo Costa, Wadih João Scandar Neto, Sérgio Barbosa de Almeida, José Eli da Veiga, Gilberto Brasil.
ANEXOS
Íntegra da publicação em: Cadernos do Desenvolvimento nº 6
Cadernos do Desenvolvimento nº 6
Rio de Janeiro, julho de 2009, ano 4, nº 6
ISSN - 1809-8606
242 páginas
Cadernos do Desenvolvimento nº 5
Este número do periódico traz os textos debatidos no seminário sobre a Integração sul-americana, ocorrido em campinas no fim de 2007 e que se tornou uma linha de pesquisa do Centro Celso Furtado.
Orelha da Publicação:
Ao longo das últimas décadas, economistas de todos os matizes digladiaram-se em busca de uma interpretação para as distintas histórias de desenvolvimento (ou de sua ausência) na periferia. Comparar e explicar as diferentes trajetórias de países da América Latina e da Ásia, em particular, tem sido o ganha-pão de gerações de acadêmicos e o motivo de infindáveis polêmicas entre ortodoxos e heterodoxos. Que lições teria o sucesso asiático a ensinar às fracassadas empreitadas latino-americanas? Não há consenso e provavelmente jamais haverá: não há explicações simples (e ao mesmo tempo consistentes) para fenômenos dessa complexidade. Antonio Carlos Macedo e Silva
O período histórico ao qual se costuma denominar “globalização” tem representado, para os países em desenvolvimento de uma maneira geral, uma época muito mais de desafios do que de oportunidades — muito aquém, portanto, das promessas embutidas na onda de reformas liberalizantes que, nas diferentes regiões periféricas, abriram as portas dos novos tempos. André Martins Biancareli
A despeito das proposições e iniciativas favorecedoras de uma maior integração dos países da América do Sul, a definição dos objetivos econômicos e sociais principais, as estruturas econômicas e de poder nacionais, as estratégias formais de integração e os regimes de política econômica – tais como os que se desenvolveram nos últimos anos na América do Sul – são contraditórios com essa intenção geopolítica. A ênfase posta no livre-comércio, o descompasso entre o predomínio das iniciativas brasileiras e o seu crescente saldo comercial intra-regional, as assimetrias entre os países e a debilidade das iniciativas em direção a uma carta social inibem, se não forem superados, a construção de uma área econômica integrada. Carlos Aguiar de Medeiros
A América Latina só deixa de absorver recursos reais em 2003, em razão do superávit em transações correntes oriundo do salto das exportações e decorrente da elevação dos preços das commodities. A partir daí, segue um padrão similar ao das economias asiáticas, de acumulação de reservas e redução do passivo externo líquido, mas em escala muito mais reduzida. Até que ponto esse novo perfil da América Latina permite pensar na superação da dicotomia trade versus capital account? Tudo dependerá da perenidade das mudanças. Ricardo Carneiro
O temor de que o sistema de mercado não seja capaz de produzir níveis socialmente toleráveis de inclusão – e, por decorrência, de que novos episódios de instabilidade política possam surgir sobre os escombros da crescente distância entre ricos e pobres – aparece, cada vez mais, nas análises sobre o futuro da ordem econômica e política mundial. André Moreira Cunha
Sumário
APRESENTAÇÃO
CARTA DO PRESIDENTE LULA
PROJETO DE PESQUISA
O Brasil e a integração sul-americana
SEMINÁRIO
A INTEGRAÇÃO SUL-AMERICANA E A GLOBALIZAÇÃO
1. Globalização e integração regional
Ricardo Carneiro
2. Estrutura produtiva e especialização comercial: observações sobre a Ásia em desenvolvimento e a América Latina
Antonio Carlos Macedo e Silva
3. Inserção externa e financiamento: notas sobre padrões regionais e iniciativas para a integração na América do Sul
André Martins Biancareli
4. Integração monetária e financeira em condições periféricas:
as experiências recentes da Ásia e da América Latina
André Moreira Cunha
5. Os dilemas da integração sul-americana
Carlos Aguiar de Medeiros
Íntegra da publicação em: Cadernos do Desenvolvimento nº 5
Cadernos do Desenvolvimento nº 5
Rio de Janeiro, dezembro de 2008, ano 3, nº 5
ISSN - 1809-8606
256 páginas
Cadernos do Desenvolvimento nº 4
O periódico do Centro Celso Furtado traz as atas de cinco seminários - Energia, Projetos Estruturantes de Integração Regional, Comunicações, Questão Metropolitana e Problemas e Políticas da Saúde e dois estudos sobre a América Latina.
Orelha da Publicação:
Há pedaços do Brasil que possuem condições para se integrar no mundo, mas há regiões que não possuem as condições mínimas. E o que faremos com elas? Esta era a cobrança quando olhávamos o mapa da integração proposto no governo FHC: e as regiões não competitivas, o que se faz com elas? Elas resultaram de nossa integração incompleta mas abrigam milhares de brasileiros e têm suas potencialidades. Por que esse processo que construímos e que se interrompeu com a crise foi seletivo e muito desigual? Tânia Bacelar
Na perspectiva geopolítica, nos próximos dez a vinte anos haverá aumento da dependência e aumento do poder dos países que têm petróleo. Em relação à possibilidade de substituição de recursos, o prazo com que se trabalha é o de um horizonte de quinze a vinte anos. Isto para que haja uma substituição expressiva do gás e do petróleo, além do carvão. Celso Lucchesi
O baixo crescimento econômico que se segue a 1980 acentuou as mazelas tipicamente urbanas e influiu no aparecimento de novos aspectos muito negativos nas grandes cidades: o desemprego e a violência. Esta era praticamente desconhecida, como fenômeno generalizado, no universo urbano até o início dos anos 70. Ermínia Maricato
Só Brasil, Costa Rica e Cuba possuem sistemas universais de saúde na América Latina. Mas é preciso enfatizar que, dezesseis anos após a Constituição que o criou, o Sistema Único de Saúde e suas similaridades com sistemas universais são ainda muito mais retóricos do que traduzíveis em direitos efetivos. Ligia Bahia
Precisamos universalizar a banda larga. Como a levaremos para as escolas, se 50% das escolas brasileiras não têm sequer telefone? Como faremos educação à distância? Como colocar tecnologia de informação nas escolas, sem banda larga? Essa é uma grande discussão Marcos Dantas
Sumário:
· AMÉRICA LATINA
O perfil multifacetado dos movimentos sociais. Maria Helena Passos
Gênero: decisão pioneira não decorre de cotas. Guy Correa
· OS DESAFIOS DA ENERGIA
Direcionamento estratégico da Petrobras. Celso Lucchesi
Gás e petróleo: problemas e perspectivas. Adilson de Oliveira
O Plano decenal de expansão do setor de energia: 2006-2015. Maurício
Tolmasquin
Resistências ambientais às hidrelétricas e o futuro do setor elétrico
brasileiro. Roberto P. d’Araújo
· PROJETOS ESTRUTURANTES DE INTEGRAÇÃO REGIONAL
Logística nacional e o Plano Plurianual. Sebastião Soares
Projetos estruturantes de integração territorial. Tânia Bacelar
Políticas de desenvolvimento regional no BNDES. Maurício Borges Lemos
· AS COMUNICAÇÕES
As comunicações a caminho da convergência digital. Marcos Dantas
A luta pela democratização das comunicações. César Bolaño
Os limites da democratização das comunicações: regulação e estrutura de
poder. Venício Arthur de Lima
· A QUESTÃO METROPOLITANA
Metrópoles brasileiras: periferia do capitalismo e globalização. Ermínia
Maricato
Metrópoles da periferia e periferias das metrópoles. Carlos Vainer
A questão metropolitana. Aldaíza Sposati
· PROBLEMAS E POLÍTICAS DA SAÚDE
Os percalços do SUS. José Carvalho de Noronha
Desafios da reforma sanitária: a crise dos sistemas públicos. Gastão
Wagner Campos
Padrões e mudanças nas relações entre o público e o privado no sistema
de saúde brasileiro. Ligia Bahia
Cadernos do Desenvolvimento nº 4
Rio de Janeiro, agosto de 2008, ano 3, nº 4
ISSN - 1809-8606
248 páginas
Cadernos do Desenvolvimento nº 3
Rio de Janeiro, julho de 2007, ano 2, nº 1
ISSN - 1809-8606
316 páginas
Editora: Rosa Freire d’Aguiar

Traz as atas do Seminário Internacional POBREZA E DESENVOLVIMENTO NO CONTEXTO DA GLOBALIZAÇÃO
realizado pelo Centro Celso Furtado no Rio de Janeiro, de 25 a 27 de julho de 2006.
SUMÁRIO
Editorial
1. Sessão de abertura
2. Mesa I: A financeirização do capitalismo e a geração de pobreza
3. Mesa II: Políticas de combate à pobreza no contexto da globalização
4. Mesa III: A integração da América do Sul, desenvolvimento e pobreza: construir um plano de metas sul-americano.
5. Mesa-redonda, Processo de Helsinque: Mecanismos inovadores de financiamento para o desenvolvimento.
Notas do debate
Iniciativas brasileiras
Resumo dos MIFDs
6. Anexos
EDITORIAL:
“Eu me pergunto: quem manda neste país? Por que se conservam essas taxas de juros de fantasia, que sangram o país, deixando pequena margem para o crescimento? É difícil dirigir um país como este.”
É de contida indignação o tom das indagações de Celso Furtado no documentário “O longo amanhecer – cinebiografia de Celso Furtado”, do cineasta José Mariani. O filme teve sua pré-estréia na abertura do seminário internacional Pobreza e desenvolvimento no contexto da globalização, organizado pelo Centro Celso Furtado de 25 a 27 de julho de 2006, na sede do BNDES. São as atas desse encontro que publicamos neste número de Cadernos do Desenvolvimento.
Durante três dias, professores e pesquisadores de universidades e instituições do Brasil, dos Estados Unidos, da Europa, América Latina e África debateram a liberalização financeira, as políticas tradicionais e as novas iniciativas de combate à pobreza, a integração da América do Sul eo futuro do Mercosul. Foi lida a Carta pelo Desenvolvimento, um documento que, em doze pontos, apela para mudanças no modelo econômico e uma democracia mais participativa, fundamentos do pacto político capaz de instaurar uma nova agenda do desenvolvimento. A Carta, primeira contribuição do Centro Celso Furtado ao debate político brasileiro, foi entregue aos candidatos que disputaram a eleição presidencial.
A mesa-redonda organizada em parceria com o Processo de Helsinque de Globalização e Democracia — essa generosa iniciativa da Finlândia e da Tanzânia, lançada em 2002, para aglutinar os interlocutores que questionam uma globalização cada vez mais excludente — concentrou-se na questão central do debate sobre o desenvolvimento: como implantar mecanismos inovadores que o financiem e pavimentem o caminho rumo aos objetivos de desenvolvimento do milênio aprovados pelas Nações Unidas em 2000.
A indignação contida, mesclada de esperança, que Celso Furtado exprime no documentário sobre sua vida permeia muitos dos trabalhos inéditos ora reunidos. Quando um conferencista expõe as condições infra-humanas em que vivem 300 milhões de pessoas condenadas à pobreza crônica, quando outro calcula que as três maiores fortunas do planeta se equiparam aos PNBs dos 48 países mais pobres do mundo, quando um terceiro lembra que os ditames do Consenso de Washington condenaram os países africanos a pagarem de mais e comerem de menos, ouve-se o eco da recusa a este mundo de concentração de riqueza e de pobreza. Mas quando se aprende, pelo último relatório da Organização Internacional do Trabalho, que o Brasil foi o país que mais avançou na supressão do trabalho escravo, quando se lê que a comunidade internacional passou enfim a considerar o desenvolvimento como um dos direitos humanos, brotam razões para a esperança. (RFA)
Cadernos do Desenvolvimento nº 2
Rio de Janeiro, dezembro de 2006, ano 1, nº 2
ISSN - 1809-8606
258 páginas
Editora: Rosa Freire d’Aguiar

Os arquivos power point encontram-se em:
Cadernos 2 Anexo (power point) Ernani Torres
Cadernos 2 Anexo (power point) Renato Chaves
SUMÁRIO
1. Editorial
2. Problemas de médio e longo prazos do desenvolvimento brasileiro – 17 de março de 2006
- Demian Fiocca. Vice-presidente do BNDES
- Luiz Gonzaga Belluzzo. Presidente Institucional do Centro Celso Furtado
- José Drummond Saraiva. Diretor-financeiro da Eletrobrás
- Fernando Nogueira da Costa. Vice-presidente da Caixa Econômica Federal
- José Sérgio Gabrielli de Azevedo. Presidente da Petrobras
- Antonio Barros de Castro. Diretor de Planejamento do BNDES
- Carlos Lessa. Professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro -UFRJ
- Helio Jaguaribe. Decano do Instituto de Estudos Políticos e Sociais - IEPES
- Maria da Conceição Tavares. Presidente Acadêmica do Centro Celso Furtado
- Wilson Cano. Professor titular da Universidade de Campinas - Unicamp
3. Mudanças nas relações internacionais e na inserção do Brasil – 7 de abril de 2006
- Maria da Conceição Tavares. Presidente Acadêmica do Centro Celso Furtado
- Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães. Ministério das Relações Exteriores. “Mudanças na inserção internacional do Brasil”.
- José Luís Fiori. Instituto de Economia/UFRJ. “Mudanças estruturais e crise de liderança no sistema mundial”
- José Carlos Braga. Instituto de Economia/Unicamp. “Inserção financeira internacional e capitalismo no Brasil – 1989-2006”
- Luiz Gonzaga Belluzzo. Instituto de Economia/Unicamp. “Mudanças na geoeconomia mundial e seus impactos no Brasil”
4. Financiamento do desenvolvimento brasileiro - 28 de abril de 2006
- Sulamis Dain. Professora Titular da UERJ.
- Ernani Torres. Chefe da Secretaria de Assuntos Econômicos do BNDES: “O papel dos bancos públicos no desenvolvimento”.
- Fernando Nogueira da Costa. Vice-presidente da Caixa Econômica Federal, professor licenciado do Instituto de Economia/Unicamp. “Contra-racionamento de crédito: do raro e caro ao farto e barato”.
- Renato Chaves. Diretor de Participações da Previ-BB: “Os fundos de pensão estatais e o mercado de capitais”.
- Julio Sergio Gomes de Almeida. Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial – IEDI: “Financiamento do setor privado”.
5. Dossiê Celso Furtado
- Comentários de Celso Furtado (2002) a seu livro “Perspectivas da economia brasileira”
- “Perspectivas da economia brasileira”
6. Anexos (Arquivos power point dos conferencistas Ernani Torres e Renato Chaves)
EDITORIAL:
O segundo número de Cadernos do Desenvolvimento é dedicado a diagnósticos e perspectivas sobre o Brasil. Os diagnósticos são recentes, e estão nos textos dos três seminários organizados pelo Centro Celso Furtado no primeiro semestre de 2006, sob a coordenação da professora Maria da Conceição Tavares. As perspectivas remetem aos anos 50, e se condensam nas dez conferências proferidas por Celso Furtado durante um curso de capacitação promovido no Rio de Janeiro pela CEPAL. Completa o Dossiê Celso Furtado um texto seu de 2002, em que ele rememora o ambiente intelectual e ideológico do país na época em que apresentou as “perspectivas da economia brasileira”.
O seminário inaugural do Centro Celso Furtado debateu os problemas de médio e longo prazos do desenvolvimento brasileiro, em torno da idéia-síntese de que o desenvolvimento não é processo quieto e calmo, mas supõe conflitos na superação das desigualdades e dos desequilíbrios. O segundo seminário indagou como o Brasil deve se inserir num mundo de constantes mutações políticas, diplomáticas e financeiras, e como somos e seremos face à globalização de nossos destinos. O foco do terceiro seminário foi o financiamento do desenvolvimento; as muitas alternativas vislumbradas por seus participantes são uma inequívoca resposta aos que alegam não haver recursos para financiá-lo.
As palestras feitas por Celso Furtado em 1957, na sede do BNDE — ainda sem o S do social —, foram reunidas, no ano seguinte, no livro Perspectivas da economia brasileira. Nessa época a renda per capita do Nordeste era de 110 dólares, e de modestos 340 a do sul do Brasil. O país vivia o surto da industrialização, concretizava projetos e o sonho de ingresso na modernidade. Lá se vai meio século. Ao publicar na íntegra essas conferências, pela primeira vez desde que se esgotou a segunda edição do livro, em 1960, Cadernos do Desenvolvimento submete ao crivo do tempo uma análise lúcida e estimulante da economia brasileira feita por um de seus maiores intérpretes.
A publicação deste número coincide com a recente eleição de um Presidente da República. Qualquer que tenha sido a escolha ideológica dos leitores, trata-se de um desses momentos em que é lícito renovar a esperança de termos deixado para trás o marasmo econômico. Esperemos que os problemas apontados e debatidos, com meio século de intervalo, por Celso Furtado e pelas vozes dos especialistas reunidos nestas páginas sirvam de subsídio para a anunciada retomada do desenvolvimento. Que seja este o passo seguinte da nossa história. (R.F.A.)
Cadernos do Desenvolvimento nº 1
Rio de Janeiro, julho de 2006, ano 1, nº 1
ISSN - 1809-8606
280 páginas
Editora: Rosa Freire d’Aguiar

O primeiro número de Cadernos do Desenvolvimento traz textos de grandes estudiosos brasileiros e latino-americanos que, em novembro de 2005, se reuniram em Brasília no seminário internacional “A atualidade do pensamento de Celso Furtado”, promovido pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal.
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