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Boletim do Observatório da Indústria


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  • Boletim do Observatório da Indústria.
 
Ano 1, n.1 (2017)
 
Rio de Janeiro : Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento : Letra e Imagem, 2017.
 
ISSN: 2594-3804
 
Coord. Prof. Marcelo Arend (UFSC)
Pesq. Adilson Giovanini
 
 

 

Apresentação do Observatório da Indústria
 
A indústria de transformação é o dínamo do processo de desenvolvimento de uma nação. Ela eleva a produtividade do seu trabalhador e da sua economia como um todo. Ela demanda e produz conhecimento, ela gera modernização e avanço cultural, ela melhora as relações de troca com o resto do mundo, ela exige e produz ciência e tecnologia, ela expande o prestígio da nação entre as demais, ela estimula as atividades primárias e terciárias, ela induz um comportamento mais ativo do trabalhador e ela pode, também, servir à melhoria na distribuição de renda no país.
 
O pensamento da Cepal e, em particular, de seu grande pensador, Celso Furtado, encerrou definitivamente o debate com aqueles que, caracterizando uma vocação agrícola e primária de alguns países, como o Brasil, sustentavam que tais países poderiam basear o seu desenvolvimento na exploração racional desta vocação.
 
O desenvolvimentismo, o ideário cepalino construído sobre a imprescindibilidade da industrialização, alcançou seu êxito mais destacado no Brasil, que, ao final dos anos 1970, tinha desenvolvido sua indústria de transformação a ponto de atingir níveis de produtividade e de tecnologia bem destacados da média mundial, aproximando-se claramente das vanguardas da industrialização.
 
A partir de então, especialmente nos anos 1990, sob o poder e a influência dos interesses do grande capital, a indústria brasileira entrou em compasso aquietado, marcado por um processo generalizado de privatizações, ao tempo em que se desnacionalizava continuamente, perdendo o empuxo das políticas desenvolvimentistas oriundas da vontade política que se traduzia numa ação dinamizadora do Estado.
 
Este compasso de perda contínua se prolongou pelos primeiros anos do novo século, já aí resultando de uma desatenção desnecessária e desastrada do Estado, motivado agora pela imprescindível preocupação com a redistribuição de renda. Imprescindível mas não necessariamente incompatível com uma atenção especial para com a retomada do desenvolvimento da nossa indústria.
 
O Centro Celso Furtado, criado com a responsabilidade de debater e permanentemente atualizar o pensamento desenvolvimentista brasileiro, não podia ficar alheio a este processo altamente destrutivo da economia do País, que tende a recolocá-lo na velha condição colonial, tão propícia aos interesses das nações mais ricas.
 
Daí a ideia e o projeto de criar um Observatório da Indústria Brasileira, aprovado pela sua Diretoria no corrente ano de 2017, com o fim de coletar informações precisas da evolução da nossa indústria de transformação, para divulgá-las e induzir à discussão e à implementação de políticas específicas para o desenvolvimento industrial, com especial cuidado sobre os segmentos mais exigentes em tecnologias avançadas.
 
E este é o primeiro Boletim do nosso Observatório, competentemente organizado e produzido por uma pequena equipe dirigida pelo economista Marcelo Arend, da Universidade Federal de Santa Catarina.
 
É uma primeira experiência, da qual nos orgulhamos, mas queremos submetê-la ao exame crítico e colaborador de todos aqueles que se ocupam, e se preocupam, com o desenvolvimento de nossa Economia e, particularmente, de nossa indústria.
 
ROBERTO SATURNINO BRAGA
Diretor-presidente
Centro Celso Furtado
 
 
 

 

 






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