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Ecos da Rio + 20 serão debatidos no congresso


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O tema que mobilizou autoridades, empresariado e sociedade civil durante a Rio + 20  – a sustentabilidade – também vai ser debatido no 1º Congresso do Centro Celso Furtado, em agosto. O economista Clóvis Cavalcanti, professor da Universidade Federal de Pernambuco, pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco e fundador da Sociedade Internacional de Economia Ecológica quer aproveitar a mobilização da sociedade ocorrida ao longo da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentátel para retomar algumas das proposições saídas da Cúpula do Povos e debater com os presentes propostas concretas capazes de domar a economia e atrelá-la às necessidades das pessoas.

O pesquisador, que veio ao Rio de Janeiro para participar de um congresso de economia ecológica, entre os dias 16 e 19 de junho, e também do evento paralelo à Conferência da ONU, encerrado no último dia 23, será o coordenador da mesa Sustentabilidade do Desenvolvimento e Impactos Socioambientais e Territoriais do Crescimento Econômico no Congresso do Centro Celso Furtado. O objetivo principal da mesa é fazer uma crítica ao que Clóvis chamou de “visão entusiasmada e colorida do processo de crescimento econômico”.

“Há hoje uma visão dominante, de idolatria do crescimento, traduzida por expressões como “espetáculo do crescimento”, “alto crescimento” e “aceleração do crescimento”. Celso Furtado já criticava isso em seu livro O Mito do Desenvolvimento Econômico, mostrando que esse fenômeno pode até acontecer em alguns momentos específicos, de forma espasmódica, mas não continuamente. Então é preciso que se advirtam as pessoas de que elas estão diante de uma fantasia, de um fetiche”, destacou Clóvis Cavalcanti.

Segundo ele, é preciso se pensar seriamente sobre a natureza do processo econômico que queremos. “Existe o bom e o mau crescimento econômico. O bom respeita as pessoas e o meio ambiente e segue princípios éticos. O mau é predatório, destrói a natureza, sacrifica as pessoas e as trata como simples peças do mecanismo econômico. Falar de sustentabilidade requer isso e significa identificar o que é possível fazer no marco dos recursos proporcionados pela natureza”, acrescentou.

Para o economista, a noção usual de sustentabilidade do desenvolvimento dá a impressão de se ter convertido numa espécie de refrão da atualidade, sem maior compromisso quanto aos freios que nela se contêm. “Mudanças no sistema econômico, entretanto, são inevitáveis, como forma de adaptação às restrições que o processo econômico confronta”.

Clóvis Cavalcanti vai estar dividindo a mesa com o economista David Barkin, doutor pela Universidade de Yale (EUA) e professor do campus de Xochimilco da Universidad Autónoma Metropolitana da Cidade do México, e Renata Marson Andrade, doutora pela Universidade de Berkeley, na Califórnia, e professora da Universidade Católica de Brasília.

“David é como eu economista ecológico, foi colega de Celso Furtado em Yale e vai tratar da relação entre economia e meio ambiente de uma perspectiva marxista. Já Renata tem a experiência de ter estudado a história ambiental do Rio São Francisco. Ela traz a visão da população ribeirinha, de como ela vê as iniciativas econômicas em relação ao meio em que vive”, explicou o professor pernambucano.






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