Longo Amanhecer - Cinebiografia de Celso Furtado, O Longo Amanhecer
diretor
José Mariani
gênero
Documentário
tempo de duração
74 min
ano
2007
horário alternativo
sab 21 Agosto 21:00
dom 22 Agosto 14:00
"Nosso filme desta semana é “O Longo Amanhecer: Cinebiografia de Celso Furtado”, que valeu a José Mariani uma menção honrosa do júri de nosso festival em 2007.
Mariani não tem medo de temas áridos. Estreou em longas-metragens em 2002 com um sedutor documentário sobre física, “Cientistas Brasileiros: César Lattes e José Leite Lopes”, já exibido neste programa. Meia década mais tarde ei-lo encarando com sucesso o desafio de celebrar as ideias e a trajetória de um dos maiores economistas brasileiros.
“O Longo Amanhecer” empresta seu belo título do antepenúltimo livro publicado por Furtado, morto em 2004. O foco se concentra mais na obra do que da vida do autor do clássico “Formação Econômica do Brasil” (1959).
A força do documentário reside menos no material de arquivo do que no tocante depoimento do biografado, colhido pouco antes de sua morte, e em entrevistas com intelectuais como Francisco de Oliveira, Maria da Conceição Tavares e João Manuel Cardoso de Mello.
Oliveira reafirma Furtado como um dos maiores intérpretes do Brasil, ao lado de Caio Prado Jr, Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda. Conceição Tavares frisa a generosidade social da visão dele, assim como a rara combinação, cá nos trópicos, do pensador original com o competente administrador público. Já Cardoso de Mello destaca a pioneira contribuição de “Formação Econômica do Brasil”. lembrando o impacto que teve sobre um historiador da importância do francês Fernand Braudel.
“O Longo Amanhecer” imortaliza em imagens a majestade seca de Celso Furtado. Foi reformista e não revolucionário, capitalista mas crítico do modelo concentrador de renda, nacionalista e cosmopolita a um só tempo.
É difícil transmitir para as gerações nascidas após o fim do ciclo militar (1964-1985) a dimensão de Furtado nos tempos da ditadura. Eram Ulysses Guimarães na arena da política aqui e ele, na das ideias, no exílio. Com a redemocratização, o poder real lhes escapou, mas a história lhes faz justiça."
Amir Labaki
Fonte: É tudo Verdade - http://www.itsalltrue.com.br/
Circuito comercial de cinemas das cidades: Rio de Janeiro, São Paulo, Santos, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Salvador, Recife, Belo Horizonte, Porto Alegre e Campinas.
Desde sua pré-estréia (leia abaixo), em julho de 2006, o documentário O longo amanhecer já foi apresentado nas seguintes instituições:
1. 25 de julho de 2006 Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento – Seminário Internacional Pobreza e desenvolvimento no contexto da globalização. Auditório do BNDES, RJ.
2.23/08/06 Sessão especial para o corpo de funcionários do BNDES.
3.20/09/06
Semana de História 2006 – promovida pelo CENTRO ACADEMICO DE HISTÓRIADEPARTAMENTO DE HISTÓRIA PUC RIO.
4.5/10/06
II Simpósio de Iniciação Científica em Economia. Promoção do Departamento de EconomiaFEA USP.
5.27/10/06
V Semana de Economia- PUC-SP.
6. 08/11/2006
XVII Semana de Economia, com palestras sobre o pensamento de Celso Furtado
Seminário Tecnologia, Formação Profissional e Desenvolvimento em Mato Grosso Do Sul. Universidade Federal da Grande Dourado-UFGD, Faculdade de Ciências Exatas e Tecnológicas-FCET, Faculdade de Ciências Agrárias-FCA
Dourado, Mato Grosso do Sul.
8.22/11/06
Sessão organizada pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da PUC Rio e pelo Departamento de Comunicação Social da PUC – Rio
9.28/11/06
Encontro da CNBB “O Nordeste e seus Desafios”
Campina Grande / PB.
10.7/12/06
Academia Brasileira de Letras
Rio de Janeiro, RJ
11.08/12/06
III Congresso de Pós-Graduação em História Econômica. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, USP SP.
12.24 /03/07 - 25/03/07
Festival Internacional de Documentários É tudo verdade
Cinema Odeon - No Rio de Janeiro.
CineSesc - São Paulo
13.18/04/07
Aula inaugural do Departamento de Serviço Social da PUC-RJ. Seguiu-se um debate com o cineasta José Mariani, os professores Ricardo Ismael e Eduardo Raposo, do Departamento de Sociologia e Política, e Rosa Freire d’Aguiar Furtado, viúva do economista
14.04/06/07 Sessão de abertura da Mostra realizada pelo Festival É Tudo Verdade. Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Seguiu-se um debate com a presença do cineasta, dos professores Marcos Costa Lima, Tânia Bacelar de Araújo, Clóvis Cavalcanti e Ricardo Santiago.
15.02/07/07 Encerramento do curso Leitura do Pensamento de Celso Furtado, ministrado pelo Centro Celso Furtado em sua sede, no Rio de Janeiro. Seguiu-se debate com José Mariani, Rosa Freire d Aguiar, e os professores Carlos Pinkusfeld e Victor Leonardo de Araújo.
16.05/07/07 Abertura do Encontro de Administradores BNB-2007, organizado pelo Banco do Nordeste do Brasil, em Natal. Presentes o cineasta José Mariani, o presidente do BNB, prof. Roberto Smith, e diretores da instituição.
17.19/07/07
Fórum BNB de Desenvolvimento. XII Encontro Regional de Economia.
Evento promovido pelo BNB e a ANPEC - Associação Nacional de Centros de Pós-Graduação em Economia. Fortaleza - Ceará.
18.15/08/07
Sessão no IBASE, Rio de Janeiro, seguida de um debate com os dirigentes do Instituto, o cineasta José Mariani e Rosa Freire d Aguiar.
19.14/09/07
III Encontro de Economia Baiana, Salvador
Em presença do cineasta.
20. 16 e 17/09/07
34ª Jornada internacional de Cinema da Bahia - Salvador. Em presença do cineasta.
21. 19/09/07
Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.
22.15/10/07
A COPPE/UFRJ, Rio de Janeiro, seguida de debate com o reitor da UFRJ, Aloísio Teixeira, a economista Maria da Conceição Tavares, e o diretor da COPPE, Luiz Pinguelli Rosa e o cineasta José Mariani.
23.06.10 e 14.10.07
Festival Sala de Arte, Salvador.
24. 29.11.07
Participação Seminário Teoriase Experiências do Desenvolvimento, promovido pelo IPEA com a participação da Cepal-Brasil e COFECON ., em Brasília. Em presença do cineasta.
25. 18.03.08.
Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ promove pré-estréia da Cinebiografia de Celso Furtado, “O Longo Amanhecer.
26. 19.03.08.
Pré-Estréia no cinema da FUNDAJ, Recife. Em presença do cineasta.
27. 3.08.
Pré-Estréia - Folha documenta - Cine Bombril. São Paulo, SP.Realização de debates comRosa Freire D’Aguiar Furtado e professor Luiz Gonzaga Belluzzo e o diretor do filme.
28. 23.04.08
Exibição com debate após a projeção na Reunião de Conselho da Associação Brasileira de Instituições Financeiras de Desenvolvimento, ABDE,na cidade de Belém, Pará. Em presença do cineasta.
29. 24.04.08.
Exibição no Centro de Cultura do BNB na cidade de Souza, Paraíba. Em presença do cineasta.
30. 25.04.08
Exibição no Centro de Cultura do BNB na cidade Juazeiro, Ceará. Em presença do cineasta.
31. 26.04.08
Exibição no Centro de Cultura do BNB na cidade Fortaleza, Ceará. Em presença do cineasta.
32. 27.05.08.
Exibição na Câmera dos Deputados, Brasília.
33. 04.06.08
Exibição na UnB,Universidade de Brasília coma presença do professor e economista Ricardo Bielchowsky e o diretor do filme.
34. 05.06.08
Pré-Estréia. Sessão para os convidados do BNB no Cine academia, Brasília. Em presença do cineasta.
35. 26.06.08
Exibição na FIEP - Federação das Indústrias do Estado do Paraná, Curitiba. Em presença do cineasta.
36. 27.06.08
Exibição no O XI Encontro de Economia da Região Sul - ANPEC-Sul – organizado pelo Programa de Pós- graduação em Desenvolvimento Econômico da UFPR, em Curitiba.
Em presença do cineasta.
37. 08.08.08
Exibição curso Instrumentos de Política Econômica para a Construção de Uma Sociedade Civilizada e Justa.do Professor Eduardo M. Suplicy, na escola de Administração de empresas da FGV/SP. Em presença do cineasta.
38. 13.08.08
Exibiçãoem comemoração ao Dia do Economista na PUC - CAMPINAS. Mesa de debates com participação do diretor do filme, do economista e professor André Tosi Furtado e do Diretor e do diretor do Centro de Economia e Administração professor Antonio Carlos de Azevedo Lobão.
39. 29.08.08.
Diamantina - Exibição do filme no XIII Seminário de Economia Mineira. Em presença do cineasta.
40.02.09.08
Belo Horizonte. Pré-estréia para os convidados da CEDEPLAR no Savassi Cineclube. Em presença do cineasta.
41. 23.09.08.
Porto Alegre - PUC de Porto Alegre, evento para estudantes de economia com exibição de trechos do filme e debate após a projeção. Participação do professor Renato de Lemos, Diretor do departamento Economia da PUC e do diretor do filme.
42. 24.09.08.
Porto Alegre.Sessão de Pré- estréia na Faculdade de Economia da UFRGS, promovida pelo Diretório Acadêmico de Economia.Debate após a projeção com a participação do professorLuiz Miranda e o diretor do filme.
43. 08.10. 08.
Campinas - Sessão de “pré-estréia” no Instituto de Economia da Unicamp, promovido Núcleo de História Econômica do IE. Com a presença do cineasta.
44. 24.10. 08. João Pessoa / Paraíba - Universidade Federal da Paraíba -UFPB - Participação no Ciclo de Conferência - O Pensamento de Celso Furtado. Com a presença do cineasta.
JORNAL DA PUC
Rio de Janeiro, 5 de dezembro de 2006
Brasil de Celso Furtado é resgatado em filme
Rafaela Reinhoefer / Fotos: Carolina Jardim
Para Celso Furtado, o subdesenvolvimento é um processo histórico autônomo, e não uma etapa pela qual tenham passado as economias que já alcançaram grau superior de desenvolvimento. Esta tese é extraída da obra Desenvolvimento e Subdesenvolvimento, de 1961. A vida e as idéias do economista, falecido há dois anos, foram retratadas no documentário O Longo Amanhecer – Cinebiografia de Celso Furtado (2006), do cineasta José Mariani, exibido no dia 22 de novembro na PUC. Além do diretor do filme, que também é professor de cinema na PUC, estiveram presentes ao debate, que se seguiu à projeção, Rosa D’Aguiar Furtado, viúva de Celso, o economista Carlos Lessa e os professores Eduardo Raposo e Ricardo Ismael, do Departamento de Sociologia. O professor Miguel Pereira, Coordenador da Pós-Graduação de Comunicação Social, presidiu a mesa.
O longa-metragem mostra a atuação de Celso como estudioso dos aspectos estruturais do subdesenvolvimento e como gestor de políticas inovadoras para o Brasil. "A maior dificuldade de fazer o filme foi construir a sua narrativa. Foi preciso entender o pensamento do Celso e a sua contribuição para a história brasileira. O caminho é denso, de investigação e de reflexão", disse Mariani. A expectativa é de que o filme entre em cartaz nos cinemas no ano que vem.
Rosa lamentou o fato de seu marido não ter assistido o documentário, que ficou pronto no início deste ano. Para ela, o filme não é só uma biografia do intelectual, mas também uma abordagem do pensamento do economista e da trajetória brasileira a partir da segunda metade do século XX.
Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) e sociólogo, o padre Fernando Bastos De Ávila, que estava presente à sessão, lembrou o período em que ele e Celso eram membros do Conselho Técnico da Confederação Nacional do Comércio (CNC). "Ele tinha uma extraordinária sensibilidade para o problema da justiça social", disse o padre. Furtado e Ávila foram colegas também na ABL.
As especificidades do Brasil e o porquê de sermos diferentes foram algumas das indagações de Furtado lembradas pelo professor Eduardo Raposo.
Ricardo Ismael destacou a contribuição do trabalho de Celso para o país. "Além de um intelectual brilhante, de ter escrito uma obra que todos devem visitar, ele foi um exemplo de homem público", assinalou. Para o professor, a região Nordeste começa a surgir com identidade na federação a partir da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), cuja criação, em 1959, teve participação e influência de Celso, que era paraibano.
Carlos Lessa disse que a grande obra é feita considerando-se a origem de seu autor. Para ele, o verdadeiro intelectual desenvolve sua criação a partir do lugar e depois para o mundo, e não o inverso. "Celso é o nordestino exemplar. Com toda a enorme criatividade sertaneja e capacidade de resistência, Celso dá as chaves mais interessantes de nossa reflexão. E a obra dele é universal", assinalou.
Ao final, quando perguntado sobre a atualidade das teorias de Furtado e o quanto elas são aplicadas hoje, Lessa foi enfático:
– O tema não caiu, ele apenas saiu das manchetes dos jornais e do vocabulário político imediato. Mas não desapareceu. Pelo contrário, ele continua em pauta para um conjunto de pensadores brasileiros e está perfeitamente em dia, inclusive no debate mundial. Mas a inserção política desse pensamento é hoje muito precária, se não nula, disse o economista.
AGÊNCIA FAPESP
O longo amanhecer,
documentário sobre Celso Furtado,
traça paralelos entre a história política brasileira,
a trajetória biográfica e a obra de uma dos mais importantes intelectuais brasileiros
Pensamento feito para agir
09/10/2006
Por Thiago Romero
Agência FAPESP - “Em nenhum momento de nossa história foi tão grande a distância entre o que somos e o que esperávamos ser.” A frase, que marcou o livro O longo amanhecer, do economista Celso Furtado (1920-2004), soa hoje tão atual para o Brasil quanto há sete anos, quando foi publicada pela primeira vez.
A frase é dita pelo próprio Furtado, um dos mais importantes intelectuais brasileiros, no documentário que carrega o mesmo nome do livro de 1999, dirigido pelo cineasta José Mariani e que teve sua estréia feita na semana passada, na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP).
“O filme faz paralelos entre três importantes elementos: a história política do Brasil, a trajetória biográfica de Furtado e a obra dele”, disse Mariani à Agência FAPESP. “A intenção é mostrar de que maneira esses elementos se encontram no decorrer de sua vida e como seus pensamentos conseguiram intervir na política e na economia do país.”
Com pouco mais de uma hora de duração, o documentário intercala depoimentos inéditos de Furtado com imagens de arquivo da família e de instituições em que trabalhou, além de entrevistas com economistas como Antonio Barros de Castro, João Manuel Cardoso de Melo, Maria da Conceição Tavares, Osvaldo Sunkel e Ricardo Bielschowsky.
Mariani é autor do documentário Cientistas brasileiros: César Lattes e José Leite Lopes, que descreve a história da física a partir da trajetória da dupla. “Essa foi uma geração pós-guerra que teve que inventar seu espaço acadêmico na área da física. Dentro dessa mesma geração, que teve um projeto sólido para a nação, resolvi mudar a área do conhecimento e passei a estudar Furtado”, disse Mariani.
A jornalista Rosa Freire d’Aguiar, viúva de Furtado, disse ter ficado impressionada com o roteiro do filme. “Falar de economia e de economistas é sempre um assunto muito árido e Mariani conseguiu mostrar os aspectos mais importantes ocorridos no Brasil a partir da segunda metade do século 20. Esse é um filme extremamente didático e que deveria ser visto por todo estudante de economia”, disse em debate após a exibição do documentário.
Além de Mariani e Rosa, estiveram presentes ao debate os professores da FEA José Eli da Veiga e Leda Paulani e Francisco de Oliveira, professor aposentado da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. “Celso Furtado foi um internacionalista a seu modo. Ele correu o mundo, mas voltou para o Nordeste, o lugar onde começou e que era considerado o calcanhar-de-aquiles do projeto nacional”, disse. Furtado nasceu em 26 de julho de 1920 em Pombal, na Paraíba.
Mariani pretende percorrer universidades brasileiras com novas exibições de O longo amanhecer. O lançamento no circuito comercial ainda não tem data definida, bem como o DVD, que está em fase de elaboração. A próxima exibição do documentário será no dia 27 de outubro, na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
No dia 25 de julho, na sessão de abertura do Seminário Internacional "Pobreza e desenvolvimento no contexto da globalização”, realizado pelo Centro Celso Furtado, foi exibido em pré-estréia, no Rio de Janeiro, o filme
“O longo amanhecer – cinebiografia de Celso Furtado”.
Em julho de 2004, poucos meses antes de Celso Furtado falecer, José Mariani gravou quatro horas de depoimento com o economista. Numa conversa descontraída, em seu apartamento no Rio, Celso Furtado relembra sua experiência na Segunda Guerra Mundial, os anos em Paris como estudante de economia, sua atuação na CEPAL, na SUDENE, no Ministério do Planejamento; fala de sua vocação para entender e explicar o Brasil. Os economistas Antônio Barros de Castro, Francisco de Oliveira, João Manuel Cardoso de Melo, Maria da Conceição Tavares, Osvaldo Sunkel e Ricardo Bielschowsky, e o físico José Israel Vargas, entrevistados por Mariani, discorrem sobre a obra do homenageado e sua decisiva contribuição teórica para a compreensão do subdesenvolvimento. Tendo Furtado como fio condutor, “O longo amanhecer...” traça um instigante e imprescindível panorama da história e da economia brasileira e latino-americana na segunda metade do século XX.
O carioca José Mariani, cineasta e professor de Cinema da PUC, é o realizador do documentário “Cientistas Brasileiros: César Lattes e José Leite Lopes”, sobre a trajetória de dois dos maiores físicos do Brasil. “Meu último filme motivou-me a realizar esse projeto sobre Celso Furtado. São figuras da mesma geração, que no seu tempo pensaram o Brasil, construíram um projeto e o realizaram. O legado dessa geração é muito rico e atual”, disse ele em maio de 2006, quando o longa-metragem ganhou o prêmio Margarida de Prata, concedido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
O júri da CNBB justificou a escolha com o seguinte parecer:
“O longo amanhecer”, de José Mariani, é um documentário sobre um dos mais importantes pensadores brasileiros, o economista Celso Furtado. O filme não é um relato biográfico, mas uma investigação sobre a atualidade de seu pensamento. Além disso, resulta também num painel bastante instigante sobre o próprio Brasil e sua história recente. “Um longo amanhecer” refere-se também a uma espécie de metáfora de um país que ainda não encontrou o caminho de um desenvolvimento sustentado. Persiste em suas estruturas arcaicas e abortou inúmeras chances de conquista de uma autonomia plena. Não se vê, no entanto, na veneranda figura de Celso Furtado, qualquer atitude de desesperança, apenas a frustração que todos nós sentimos de um processo de desenvolvimento não concretizado. Trata-se de um filme sensível e questionador dos modelos brasileiros de construção da nação, além de ser uma bela homenagem ao brilhante pensamento de Celso Furtado.”